PROJETO FONOAUDIOLÓGICO

artigos

Esta sessão apresenta artigos atuais de diversas fontes de pesquisa (nacionais e internacionais) de modo resumido e seu respectivo link ou outro formato de arquivo (pdf, doc, ppt, cdr etc.) para obtenção do material completo.

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Impacto da voz na qualidade de vida de professore(a)s do ensino fundamental

The impact of voice on the quality of life of elementary school teachers

Maria Helena Marotti Martelletti Grillo; Regina Zanella Penteado

RESUMO

O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto da voz na qualidade de vida de professores e professoras do Ensino Fundamental de escolas públicas, mediante aplicação do questionário protocolo de Qualidade de Vida e Voz (QVV) em 120 professores. A análise engloba o cálculo do Domínio Global (questões de 1 a 10), a análise descritiva das questões e o cálculo dos coeficientes de correlação de Spearman entre o Domínio Global, a questão isolada “como avalia a sua voz?”, a idade, o tempo de magistério e a carga horária de trabalho. A média do Domínio Global é 84,2 e a maioria (49,2%) avaliou a voz como boa, apesar de enfrentarem dificuldades ao falar, especialmente quando se trata de falar forte em ambientes ruidosos e do ar acabar rápido e precisar respirar muitas vezes enquanto fala (questões 1 e 2, respectivamente). A questão isolada apresentou correlação linear significativa com todas as questões do QVV, ao passo que idade e carga horária não apresentaram correlação significativa com nenhuma das questões. Tempo de magistério apresentou correlação com as questões 2 e 5, relacionadas a problemas como falta de ar e depressão, respectivamente. O impacto da voz na qualidade de vida evidencia-se, portanto, no uso da voz em forte intensidade, na incoordenação pneumofônica, no trabalho e nos sentimentos negativos, diretamente relacionados às necessidades vocais da categoria. O impacto da voz sobre a qualidade de vida e trabalho é ainda pouco percebido pelos professores, que têm necessidades vocais que demandam ações de promoção da saúde que levem em conta a relação entre voz e qualidade de vida do professor.

CONCLUSÃO

A média dos escores do Domínio Global do QVV foi de 84,2 e a maioria avaliou a voz como boa, o que demonstra que, em geral, o(a)s professore(a)s encontram-se satisfeitos com a qualidade vocal que apresentam.

Apesar disso, a análise descritiva das questões evidenciou que necessidades e problemas relacionados ao uso da voz provocam impacto negativo na qualidade de vida do(a)s professore(a)s de Ensino Fundamental. As principais necessidades e problemas são percebidos em situações da vida cotidiana relacionadas ao desenvolvimento da profissão e trabalho docente – tais como aquelas que requerem do sujeito falar em forte intensidade em ambientes ruidosos (como o das salas de aula e de reuniões) e aquelas que demandam adequada coordenação pneumofonoarticulatória – além das situações que envolvem aspectos subjetivos (como as emoções e sentimentos negativos dos sujeitos em relação à própria voz).

A prevalência de mulheres dentre os docentes de Ensino Fundamental indica que as questões de gênero não podem ser desconsideradas ao se pensar em ações fonoaudiológicas de promoção da saúde vocal e geral de professore(a)s que levem em conta a qualidade de vida, uma vez que elas estão mais expostas às responsabilidades e cargas de trabalho decorrentes do acúmulo de papéis sociais nos ambientes de trabalho e familiar.

A relação entre o aumento do tempo de magistério e piores escores do QVV mostra que, com o passar dos anos de profissão, aumentam-se as chances de que os docentes venham a ter problemas com o uso da voz e comprometimento da sua saúde vocal e geral, ainda que pesquisas não confirmem a relação queixa vocal/tempo de magistério.

Conclui-se que, sendo a docência uma profissão que envolve questões de gênero e que possui demandas e necessidades específicas relacionadas ao uso profissional da voz, sob longas jornadas e precárias condições de trabalho que se repetem ao longo dos anos, a ação fonoaudiológica para a promoção da saúde vocal deve iniciar-se já na formação do(a) professor(a) e se estender ao longo da sua carreira, integrando as propostas de formação continuada e de promoção da saúde desse(a) trabalhador(a).

Pode-se conferir este artigo completo Impacto da voz na qualidade de vida de professore(a)s do ensino fundamental integralmente em pdf na Base de Dados SCIELO.

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Ações em saúde vocal: proposta de melhoria do perfil vocal de professores

Actions in vocal health: a proposal for improving the vocal profile of teachers

Kelly Cristina Alves Silverio; Claudia Giglio de Oliveira Gonçalves; Regina Zanella Penteado; Tais Pichirilli Guilherme Vieira; Aline Libardi; Daniele Rossi.

RESUMO

Vários autores têm apontado a urgência de se intensificar pesquisas e ações voltadas ao professor, na escola, de caráter preventivo e de promoção de saúde vocal, que se volta para a melhoria das condições de trabalho e do ambiente no qual ocorre a docência. Assim sendo, o objetivo deste estudo foi analisar as queixas, os sintomas laríngeos, hábitos relacionados ao desempenho vocal e o tipo de voz de professores de uma escola da rede pública de ensino antes e após a participação em grupos de vivência de voz. O estudo foi dividido em etapas com professores de uma escola pública: 1ª Etapa: entrevista, avaliação laringológica e perceptivo-auditiva da qual participaram 42 professores; 2ª Etapa: grupos de vivência de voz e 3ª Etapa: reavaliação perceptivo-auditiva – das quais participaram 13 professores. Os resultados foram: 73% dos sujeitos apresentaram queixas vocais; 57,14% apresentaram rouquidão de grau leve e moderado, 78,57% apresentaram soprosidade e 52,38% apresentaram tensão na voz. Ao exame laringológico, 75,86% apresentaram fendas glóticas e 34,48% espessamento mucoso. Após a vivência de voz houve diferença significativa no grau de tensão, tanto na análise da vogal /e/ como na análise da fala espontânea (p = 0,0277 para p > 0,05 para ambas). Houve melhora dos cuidados com a voz e a compreensão dos fatores intervenientes e determinantes das alterações vocais, presentes nas condições e organização do trabalho docente. Ações educativas processuais, como os grupos de vivência de voz, se caracterizam como importantes espaços de reflexão e de mudança das relações entre trabalho e saúde do professor.

CONCLUSÃO

O número significativo de vozes alteradas encontradas nos professores evidencia a precariedade das condições de saúde vocal desses sujeitos.

A participação nos encontros de vivência de voz reduziu a tensão vocal dos professores e auxiliou a compreensão por parte deles nas causas destas tensões.

O estudo demonstra a importância e a necessidade de implantação de programas de saúde vocal com objetivo de prevenir as disfonias e promover a saúde vocal docente, direcionada para alunos dos Cursos de Pedagogia e/ou Licenciaturas e para os professores das escolas públicas. As ações educativas devem, portanto, assumir características processuais e serem pautadas pelo diálogo, pela reflexão, discussão e possibilidades de mudança, por meio da participação ativa dos sujeitos.

Este artigo completo Ações em saúde vocal: proposta de melhoria do perfil vocal de professores encontra-se disponível em pdf na Base de Dados SCIELO.

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Aquisição fonológica em crianças com antecedentes de desnutrição

Phonologic acquisition in children with malnutrition antecedents

Luciana Melo de Lima; Bianca Arruda Manchester de Queiroga

RESUMO

Tal estudo investigou a aquisição fonológica, por meio da análise dos processos fonológicos, de crianças de 2:1 a 6:6 anos com antecedentes de desnutrição. Foram estudadas 20 crianças, selecionadas através do registro de antecedentes de desnutrição dos prontuários médicos na Unidade de Saúde do Bairro Canafístula no município de Arapiraca-AL, onde também foram realizadas as avaliações de linguagem e das estruturas do sistema fonoarticulatório. Os participantes foram divididos por idade para facilitar a análise dos resultados. Foram encontrados sete processos fonológicos na fala das crianças avaliadas. Segundo a maioria da literatura referida, todos os processos encontrados nesta população, com exceção de dois processos, encontram-se fora do prazo esperado para serem eliminados. Foi possível concluir que as crianças com antecedentes de desnutrição apresentavam, de modo geral, um retardo na aquisição fonológica.

CONCLUSÃO

Diante das informações referidas, pode-se concluir que foi observada a presença de sete processos fonológicos na linguagem da população analisada e que de acordo com a literatura, apenas as crianças de faixa etária entre 2,6 e 3,0 anos apresentavam os processos correspondentes a suas idades; o restante apresentou atraso na eliminação dos processos.

Os dados encontrados no presente estudo apontam para a repercussão da desnutrição no crescimento e desenvolvimento infantil, reforçando a necessidade de políticas de saúde mais efetivas no que refere ao combate da desnutrição infantil.

O estudo completo Aquisição fonológica em crianças com antecedentes de desnutrição pode ser obtido em pdf na Base de Dados SCIELO.

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As crianças e o mundo das palavras: considerações sobre a pesquisa em desenvolvimento lexical

Children and the world of words: remarks on lexical development research

Débora de Hollanda Souza.

RESUMO

A pesquisa em Psicologia do Desenvolvimento no Brasil tem realizado importantes avanços nos últimos anos, no entanto, um processo básico ainda se encontra ausente das discussões entre os pesquisadores brasileiros na área: o desenvolvimento lexical. O presente artigo tem como objetivo fornecer uma revisão da literatura, demonstrando como estudos sobre o aprendizado inicial de palavras podem contribuir para a nossa compreensão atual do desenvolvimento infantil. Os principais avanços da pesquisa sobre desenvolvimento lexical são discutidos, assim como os principais desafios encontrados pelos pesquisadores dedicados ao tema. Espera-se também que este artigo possa servir como ponto de partida para pesquisadores brasileiros interessados em investigar esse processo em crianças falantes do português.

CONCLUSÃO

Pais e mães frequentemente se surpreendem diante da velocidade com a qual seus filhos incorporam palavras ao seu vocabulário. Como elas podem aprender tão rapidamente e sem muito esforço aparente? Como elas podem conhecer e produzir tantas palavras quando elas ainda nem mesmo conseguem amarrar seus sapatos? Adultos estudando uma segunda língua certamente já se fizeram essa pergunta. Para que se tenha uma compreensão desta habilidade impressionante, é necessário que se examine o que o processo de aquisição lexical envolve. Anos de pesquisa em aquisição e desenvolvimento da linguagem têm contribuído muito para a nossa atual compreensão do processo. Várias perguntas sobre o processo de desenvolvimento lexical, entretanto, ainda permanecem sem resposta. Por exemplo, o número de pesquisas sobre a aquisição de palavras abstratas é ainda muito pequeno. Pouco se sabe sobre quando e como exatamente estas palavras são incorporadas ao vocabulário das crianças. O que é mais preocupante, talvez, é que não há ainda um consenso geral sobre quais fatores são determinantes em diferentes contextos de aprendizagem de palavras.

Uma reflexão crítica dos estudos descritos no presente artigo também se faz necessária. Por exemplo, de Lemos (2001) propõe uma visão alternativa àquela que defende a aquisição da linguagem como parte de um processo desenvolvimental. Segundo a autora, a grande maioria dos estudos sobre aquisição da linguagem se baseia em dois pressupostos: (a) a fala da criança deve ser compartimentalizada (i.e., sintaxe, fonologia, semântica), o que permite, por sua vez, a identificação de diferentes estágios no processo de desenvolvimento lingüístico e (b) os aspectos lingüísticos precedem os discursivos. Ao analisar a narrativa presente na fala de uma criança no período entre 2 e 5 anos, de Lemos (2001) argumenta que as mudanças observadas ao longo desse período são efeito de um processo de “subjetivação pela linguagem”, e não reflexo de um acúmulo de conhecimento sobre a língua, ou avanços isolados em seus componentes.

Finalmente, espera-se que esta revisão da literatura possa estimular a curiosidade de pesquisadores brasileiros e abrir portas para novos estudos que podem ser não só interessantes como também necessários. Pesquisas trans-culturais ou dados obtidos em diferentes comunidades lingüísticas podem, em especial, contribuir para a compreensão sobre a relação entre linguagem e cognição (e.g., Gentner & Boroditsky, 2001; Shatz, Diesendruck, Martinez-Beck & Akar, 2003; Tardiff & Wellman, 2000). Dados com crianças brasileiras serão muito bem-vindos e podem futuramente fomentar trabalhos em colaboração com pesquisadores de outros países. Afinal, o interesse por estudos comparativos em diferentes comunidades lingüísticas está aumentando exponencialmente.

O artigo completo As crianças e o mundo das palavras: considerações sobre a pesquisa em desenvolvimento lexical está disponível em pdf na Base de Dados SCIELO.

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Gagueira e disfluência comum na infância: análise das manifestações clínicas nos seus aspectos qualitativos e quantitativos

Stuttering and common dysfluency in childhood: analyses of clinical manifestations in their qualitative and quantitative aspects

Suzana Maria de Amarante Merçon; Katia Nemr

RESUMO

O objetivo deste estudo analisar em seus aspectos qualitativos e quantitativos as manifestações clínicas da gagueira e da disfluência comum na faixa etária de dois a seis anos, através da revisão de Literatura Sistemática a partir de livros e artigos científicos de Fonoaudiologia indexados no LILACS e no MEDLINE de 1993 a 2005. As diferenças qualitativas mais importantes são: o tipo de unidade lingüística na qual as disfluências ocorrem, tipologias de disfluências, presença ou ausência de esforço físico durante a fala e possíveis dificuldades na linguagem. Pré-escolares com gagueira freqüentemente apresentam dificuldades em competências metalinguísticas, especialmente com as metafonológicas, sendo que mais estudos sobre este aspecto são necessários. A freqüência de sílabas disfluentes e a taxa de elocução verbal estão entre os parâmetros quantitativos significativos. Diferenças na fala e na linguagem parecem ser fatores importantes para distinguir gagueira de disfluências comuns infantis.

CONCLUSÃO

Pela revisão de literatura realizada, foi possível concluir que as manifestações clínicas no início do desenvolvimento de gagueira em crianças pequenas (entre dois e seis anos de idade) se assemelham muitas vezes às manifestações próprias da chamada disfluência comum. Contudo, como mostram as pesquisas realizadas com análise qualitativa e/ou quantitativa dos dados clínicos observados nas duas condições, existem diferenças não só na fala como também na linguagem que parecem contribuir para um diagnóstico diferencial preciso. Assim como para a conduta mais adequada para cada caso.

Na íntegra, este artigo  Gagueira e disfluência comum na infância: análise das manifestações clínicas nos seus aspectos qualitativos e quantitativos pode ser avaliado em pdf na Base de Dados SCIELO.

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Terapia da gagueira em grupo: experiência a partir de um grupo de apoio ao gago

Therapy group of stuttering: experience with a support group for stutterers

Maria José Carli Gomes; Érica Ferreira Scrochio.

RESUMO

Um Grupo de Apoio ao Gago, criado com objetivos de fornecer informações a respeito da gagueira, foi transformado em grupo de terapia a partir das necessidades e interesse de seus participantes. Foi elaborado um programa integrado de atuação fonoaudiológica e psicológica para o tratamento da gagueira. As sessões eram realizadas semanalmente e tinham a duração de 90 minutos. Na atuação fonoaudiológica foram trabalhados aspectos da fala fluente e disfluente, tais como o ritmo, velocidade, organização, inteligibilidade e auto-monitoramento. A atuação psicológica foi conduzida dentro do referencial teórico da terapia comportamental e cognitiva, cujos procedimentos foram realizados com o objetivo de diminuir a ansiedade e a vergonha diante das situações temidas e construir um repertório comportamental mais adaptativo. As autoras analisam a eficácia desse programa, desenvolvido num curto período de tempo e em grupo, sobre a severidade da gagueira dos participantes.

CONCLUSÃO

Dessa forma, o GAG cumpriu os objetivos e cumpriu seu papel informativo/educativo, proporcionando aos participantes uma oportunidade para aprender formas alternativas para lidar com a gagueira. Alternativas bem diferentes do repertório de evitações constantes mescladas com sentimentos e pensamentos negativos a respeito de si mesmos, apresentado por todos eles no início do trabalho.

Concluímos ser necessário investigar se, com um número maior de sessões, novos ganhos seriam incorporados àqueles já adquiridos, e como resolver o problema da desistência prematura. A programação incluiria procedimentos para garantir a manutenção e generalização dos ganhos para outros contextos.

O artigo completo Terapia da gagueira em grupo: experiência a partir de um grupo de apoio ao gago está disponível no link da Base de Dados SCIELO.

  1. Os artigos foram muitos bem selecionados, parabéns pelo blog, você realiza um excelênte trabalho.

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